segunda-feira, 22 de março de 2010

DURANTE O DESTERRO: POESIA DE LIBERTAÇÃO XIII

Poesia precisa de liberdade. Aprisioná-la em limites de rimas e métricas castra a eficiência do poema. A menos que o poeta seja genial demais. Eu não aspiro a tanto, e mais: tenho por princípio não limitar minha poesia sem raça definida, porque sua finalidade é me conduzir à redenção. Sua finalidade é resgatar minha força e não deixá-la alienada ao largo dos pensamentos que necessito pra me recordar da força que tenho, que todos têm e, no entanto, tão facilmente esquecemos, pra nossa desgraça.



poesia de libertação XIII

errar o caminho não é se perder
quem erra e depois encontra ou acha outro melhor
não se perde, nem se perderá e
alcança a experiência
de conhecer outro caminho.

sonho com as estrelas que me mostram
do mundo as flores que perfumam o universo
reluzentes, na beira da Lagoa em manhã de maio sem sol.

raios luminosos da graça encantam
cães, urubus e homens
refletem a força da grandeza feminina
chama vital que arde por todo lado e faz pipocar
milhões de estrelas e flores de mil cores.

sonhando, ao menos, vou te ver de novo
pois no meu mundo quem manda sou eu
então vou desconsiderar proibições e restrições
vou te pegar, vou te abraçar, vou te beijar, vou testar a mulher
até a exaustão mais absoluta.

a chuva me trouxe pra ver o sol
onde está o sol?, minha querida?, onde está você?
vejo apenas os reflexos mais distantes
ainda que voe por serras e campos e
vales, montanhas, ruas, noites e janelas.

o sol sempre levanta, todo dia, de manhã
disso sei muito bem
se não acerto meus ponteiros é porque
o acaso não favorece minhas escolhas.

Quando o desânimo ataca
forte e traiçoeiro como a peste,
de oxigênio encho o peito e cerro os punhos
e levanto a cabeça e ataco, firme,
as torres onde estão aprisionadas minhas damas do coração.

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